Antiga entrevista com Francisco Parreira.

Francisco Parreira, aficionado, embalsamador, embolador e criador de cavalos.

Relembrar a Corrida comemorativa dos 35 anos do Grupo da Tertúlia.

No ano que comemoram 45 anos, relembro a Corrida comemorativa dos 35 anos do Grupo da Tertúlia.

outubro 31, 2010

Veja o Tendido Cero dedicado ao Campo Pequeno

outubro 30, 2010

258 Touradas à Corda na Ilha Terceira na temporada 2010

A Ilha Terceira recebeu nas suas estradas esta época taurina 258 festejos relacionados com a tourada à corda, digo festejos pois para além das touradas à corda propriamente ditas, também houve brincadeiras com vacas e bezerros pelos cerrados da ilha.
Nesta estatistica, da minha inteira responsabilidade, foram utilizados dados oficiais dos serviços camarários das Câmaras Municipais de Angra do Heroísmo e Praia da Vitória, fazendo referência a touradas (T), touradas com dois e quatro ganaderos (1/2 T e 1/4 T), procedendo da mesma fora com as Vacadas (V) e Bezerradas (B).
O Concelho de Angra registou 153 festejos, sendo a freguesia de São Mateus a que mais festejos realizou neste Concelho, sendo Humberto Filipe o ganadero que mais lidou; o Concelho da Praia da Vitória registou 105 festejos, sendo a freguesia de Santa Cruz a que mais festejos realizou em seu território e sendo os Herdeiros de Ezequiel Rodrigues aqueles que mais lidaram neste concelho do Ramo Grande.
Fique com a estatistica da Tourada à Corda do Terceira Taurina.

Duarte Bettencourt

Concelho de Angra do Heroísmo
153 Festejos
Ganaderos


Totais por tipo de Festejo


Totais de Festejos por Freguesia


Concelho da Praia da Vitória
105 Festejos
Ganaderos


Totais por tipo de Festejo


Totais de Festejos por Freguesia


Ilha Terceira
258 Festejos
Ganaderos 


 Totais por tipo de Festejo


Totais de Festejos por Freguesia


outubro 29, 2010

O terceiro e último dia do IX Congresso Mundial


É verdade que já se passou uma semana da realização deste grande evento taurino, mas como a minha vida não é só tauromaquia, venho hoje trazer-vos o relato do terceiro dia do IX Congresso Mundial de Ganaderos, com as devidas desculpas pelo atraso, aqui ficam estas linhas de um aficionado atento.

No passado sábado, dia 23 de Outubro, as portas do Teatro Angrense abriram-se para receber o terceiro e último dia do congresso. A primeira mesa redonda abordou o tema “ Selecção”, onde intervieram José Ignácio Garcia, numa abordagem ao livro genealógico da raça brava como uma ferramenta importante para melhorar e dar garantia de qualidade ao produto final que é o toiro bravo. Álvaro Acevedo moderou esta mesa onde ainda intervieram Francine Yonnet, ganadera francesa, que frisou que em França se está a incutir, através de uma cultura empresarial, que as corridas boas são aquelas que se cortam muitas orelhas, sendo ela de uma opinião exactamente oposta. O ganadero português João Folque relembrou que cada ganadero tem um toiro em sua cabeça e que a suma da criação se centra no desenvolvimento da agressividade deste belo animal, que é o toiro. O matador de toiros Vítor Mendes na sua eloquência habitual defendeu a sua forma de interpretar o toiro e o toureio, numa discussão acesa entre o toiro cómodo e o toiro duro. Tomáz Campuzano toureiro que deixou uma bonita imagem entre nós e que ficará na história da Tauromaquia Açoriana por haver estoqueado um toiro a “puerta cerrada” num pátio de uma Quinta na freguesia da Terra-Chã, celebrando com o feito os cem anos da morte a estoque de um toiro bravo precisamente no mesmo local, defendeu que as figuras deveriam ter o gesto importante de matar diferentes encastes nas feiras importantes. Em seguida o colóquio foi deveras interessante, destacando a intervenção de Joaquim Grave dizendo alto e em bom som que os toureiros quando se retiram acordam um dia mais valentes, numa resposta às afirmações dos dois toureiros presentes nesta mesa redonda. Álvaro Nuñez Benjumea saiu em defesa dos toureiros que se põem em frente dos toiros depois de uma intervenção descabida do ganadero mexicano de San Mateo, de que os matadores iam ao México de passeio única e exclusivamente tourear corridas cómodas.

A segunda mesa do dia sob o tema “ Usos e aplicações das novas tecnologias aplicadas à genética e à reprodução”, contou com a presença de dois médicos veterinários. Daniel José Bartolomé apresentou um estudo com utilização de GPS para localizar as vacas nas herdades, percebendo assim quais os locais, por exemplo, onde mais gostam de pastar, apresentou ainda um estudo da variação da frequência cardíaca nas diversas fases da lide e um projecto futuro da medição da velocidade no treino dos animais nos “correderos” das fincas. António Gómez Peinado apresentou a reprodução na ganadaria brava desde a inseminação à polémica clonagem.

Regressando aos trabalhos depois de um coffee break, tivemos a mesa redonda “Análise da ganadaria desde a perspectiva dos meios de comunicação social”, onde participaram Francisco Morgado, Jose Carlos Arevalo, Miguel Angel Moncholi e Carlos Ruiz Villasuso. Morgado defendeu que é preciso dar mais visibilidade ao rei da festa e pediu aos congressistas um voto de solidariedade para com a acção pró-taurina que se realizava na mesma altura na cidade de Santarém, promovida pelo presidente da edilidade Francisco Moita Flores. Arevalo defendeu que o toiro desde que sai à arena mostra indícios do seu comportamento em frente ao toureiro, sugeriu que o periodista taurino deve-se acercar do toiro bravo no campo, conhecer in loco os vários encastes e maneio das ganadarias. Moncholi situou a imagem na era da comunicação global e Vilasuso defendeu que hoje em dia não se faz periodismo taurino mas sim critica taurina, admitiu também que alguns meios de comunicação o fazem mas não na sua grande maioria.

Seguiu-se a mesa “ A ganadaria como sector líder no fomento da união dos sectores taurinos. Constituição de um organismo internacional do ganadero.” Com a presença de João Andrade, Carlos Nuñez e Miguel Gutierres que divulgou que o seu país, Colombia, como o próximo anfitrião do Congresso Mundial de Ganaderos de Toiros de Lide que se realizará em Fevereiro de 2013.

Seguiu-se um almoço regional na Casa do Povo de São Sebastião, seguido de tourada à corda com toiros de Rego Botelho, Casa Agrícola José Albino Fernandes, Herdeiros de Ezequiel Rodrigues e Humberto Filipe. Foi bonito de ver a moldura humana que preencheu o anfiteatro natural da tourada à corda na Ilha Terceira, fala-se numa assistência a rondar as 2500 pessoas, mostrou-se mais uma vez que na terra do bravo a aficion é maioritariamente à tourada à corda.

No fim destes três dias de convívio com gradas figuras do campo bravo mundial, ficou o amargo de boca de a organização não se ter lembrado, ou se calhar até se lembrou, de realizar uma mesa redonda com ganaderos, cientistas, críticos, toureiros, forcados e porque não aficionados terceirenses. Vieram muitos de fora, de fora se falou muito, mas se não fosse a ganadera Mariana Baldaya, nada se tinha falado do toiro e sua criação em TERRA DE BRAVOS.

Duarte Bettencourt

outubro 26, 2010

Defende PSD - Angra na associação de eventos taurinos


"Os vereadores do PSD na Câmara Municipal de Angra do Heroísmo recomendaram à autarquia “a adesão na Associação Internacional de Municípios e Entidades Organizadoras de Festejos Taurinos Populares”, considerando que esse seria “um importante contributo de divulgação da cidade pela via da tauromaquia”.

“Essa promoção catapulta um necessário processo de internacionalização de Angra, fomentando o intercâmbio de culturas e facilitando sinergias de dinamização em prol do desenvolvimento local”, sublinhou António Ventura.

Ainda recentemente, o Congresso Mundial de Ganadeiros, organizado pela Tertúlia Tauromáquica Terceirense “ afirmou um conhecimento externo da Terceira e, em particular, de Angra do Heroísmo”, pelo que “é nesse sentido que recomendamos a adesão pois, no âmbito da tauromaquia e dos festejos populares, somos detentores de importantes recursos humanos, históricos e culturais, que potenciam a atractividade ao turismo daquelas áreas”, justificou.

Esta recente associação internacional “conta já com os municípios portugueses de Santarém e da Moita, sendo que Angra do Heroísmo ao aderir a essa organização adoptaria uma interessante posição dianteira de relacionamento”, avançou ainda o vereador.

“Considerando que a referida associação tem por objectivos a promoção, a defesa e a conservação de todos os festejos populares que façam parte da história e tradição e que, entre nós, a tourada à corda e a tourada de praça ganham corpo nestes objectivos, entendemos que são actividade que caracterizam especificamente a ilha e o concelho de Angra do Heroísmo, daí a nossa proposta”, concluiu António Ventura."

Segundo dia do Congresso


Por razões de ordem profissional, infelizmente não me foi possível assistir aos trabalhos previstos para a manhã de sexta-feira, dia 22 de Outubro. Na impossibilidade de comentar o que por lá se passou, ficam os títulos das mesas redondas e a certeza de que perdi um dos melhores momentos deste IX Congresso Mundial, assim na primeira mesa tivemos “Sanidade – Chegar ao toiro são e competitivo” em que intervieram António Pina Fonseca, Victorino Martín, Miguel Gutiérrez, Vasco Brito Paes, Juan Seva e Manuel Sanes com moderação de Isabel Carpio, na segunda mesa da manhã sob o título “Maneio” fizeram parte Borja Domecq, José Luis Algora, Santiago Ellauri, Joaquim Grave e José Luis García Palacios com moderação de Paco Aguado. Podem consultar as noticias referentes a estas duas mesas, publicadas nos sites Burladero.com e Mundotoro.com .

Após o atraso verificado pelas calorosas intervenções que se fizeram na parte da manhã deste segundo dia de congresso, a jornada da tarde iniciou-se com algum atraso, passando a organização literalmente por cima da apresentação do livro “Fátima Albino – Uma ganadera da Ilha Terceira” sem dar sequer conhecimento aos congressistas desta mesma alteração.

A mesa “ Promoção e divulgação de valores complementares na ganadaria: turismo taurino, valor ambiental e a carne do toiro de lide” moderada por Miguel Ángel Moncholi, contou com a presença de Juan José Rueda, José Luis García Palacios, Pablo Mayoral e João Pedro Barreiros. Rueda explanou o conceito de turismo taurino como uma possibilidade interessante de mostrar o dia a dia no campo não só ao simples aficionado mas também a todo aqueles que desconhecem o toiro e o campo. Palácios defendeu a “Dehesa” como um ecossistema em total equilíbrio com a natureza onde o toiro é rei e senhor. João Pedro Barreiros da Universidade dos Açores, defendeu que devem ser feitos estudos científicos sobre o toiro de lide e que os mesmos, depois de devidamente publicados em revistas cientificas de renome mundial, deveriam ser publicados em revistas generalistas afim de chegar ao conhecimento do público em geral, incluindo os anti-taurinos. Pablo Mayoral apresentou aos presentes a qualidade da carne de lide alertando para a falta de uma marca de qualidade para maior visibilidade desta carne no mercado de consumo.

A organização presenteou os presentes com um espectáculo demonstrativo do toureio a cavalo à portuguesa, onde intervieram os cavaleiros alternativados terceirenses Tiago Pamplona e Rui Lopes e uma selecção de forcados juvenis, infantis e seniores da Tertúlia Tauromaquica Terceirense. Não posso deixar de criticar a organização deste evento que deveria ter sido de exaltação ao toiro de lide terceirense, aos marialvas terceirenses e aos imensos e valorosos forcados que existem nesta ilha de aficion. Poderia e deveria ter sido uma amostra da verdadeira aficion à tourada de praça nesta ilha, com a intervenção dos três cavaleiros no activo, além dos dois acima mencionados o praticante João Pamplona, com os três grupos de forcados, sim três, devidamente diferenciados entre Tertúlia Tauromáquica Terceirense, Ramo Grande e Juvenis da Tertúlia, assim demonstrando ao mundo taurino com um pouco de boa vontade e um pouco mais de organização a verdadeira dimensão da tauromaquia insular.

A noite prolongou-se com uma tertúlia interessante, à mesa, num jantar na Quinta da Nasce Água.

Duarte Bettencourt

outubro 25, 2010

O primeiro dia do Congresso


Cheguei atrasado, o que não é em minha pessoa habitual, mas ainda consegui assistir à abertura dos trabalhos com as intervenções do Presidente da Associação Regional de Criadores da Tourada à Corda, Duarte Pires, que alertou os participantes no congresso para que no dia destinado à tourada à corda tivessem cuidado com o toiro na rua, pois o toiro é rei na terra do bravo, de seguida usou da palavra o Presidente da Associação Portuguesa de Toiros de Lide, João Andrade, referindo-se à Ilha Terceira como o Centro Geográfico da Tauromaquia , leu ainda um texto enviado pelo Secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, num claro apoio à tauromaquia vindo de um alto membro do Governo da República. Andreia Cardoso Presidente da Câmara anfitriã apontou a Ilha Terceira como o centro mundial da discussão taurina, Joaquim Pires em representação do Governo Regional, apresentou os comprimentos do Presidente do Governo, Cárlos César, e referiu-se à grande vivência e convivência entre o toiro e a população da Ilha mais Taurina do Mundo, referiu também que em cada casa terceirense há um potencial ganadeiro ou capinha. Mais uma vez e em dois congressos mundiais sobre a temática taurina, o representante da Câmara Municipal da Praia da Vitória, nem da palavra usou para comprimentar os congressistas, sinal óbvio de como é tratada a tauromaquia na cidade do Ramo Grande.

Estava então iniciado o congresso, que de seguida contou com a afável e interessante prosa do grande historiador Maduro Dias, em “Os Açores entre dois continentes taurinos” lembrou a batalha da Salga, de 25 de Julho de 1581, onde a população venceu os invasores espanhóis lançando dois esquadrões de gado bravio sobre as tropas, vencendo mas não evitando a invasão castelhana dois anos depois, onde nas Contendas tentando o mesmo método de defesa, os espanhóis venceram-nos toureando-os, na sua grande intervenção referiu ainda que não foram precisas praças de toiros para se dar festejos taurinos, imporvisando-se em vários sítios, como por exemplo a antiga Praça da Restauração, hoje Praça Velha, onde se deram durante muitos anos festejos taurinos em honra de São João Baptista. De seguida tivemos a oportunidade de ouvir um excelente texto de uma ganadera de terceira geração, Mariana Baldaya, que referindo-se à sua ganadaria, deixou bem patente que o futuro ganadero terceirense está assegurado, a jovem ganadera e a sua ganadaria simbolizaram as restantes casas de bravo da ilha que tem asseguradas nos seus descendentes a continuidade da criação de bravo nesta terra de Jesus Cristo, voltando à intervenção de Mariana Baldaya não podia deixar de referir os dois puiazos dados ao poder politico local e regional, relembrando que a cobertura da praça e a legalização da sorte de varas são peças fundamentais para a evolução da festa brava na Ilha Terceira. Estes dois puiazos foram bem sentidos pelos representantes destes poderes que foram investidos com os votos de todos nós, enhorabuena ganadera.

A primeira mesa redonda, sob o titulo “Análise da situação económica das ganadarias”, contou com a moderação de Joaquim Grave e com a presença dos ganaderos Ignacio García Villaseñor, Carlos Nuñez, António Veiga Teixeira e Eduardo Martín Peñato Alonso. O ganadero Eduardo Peñato apresentou-nos a conclusão de um estudo económico sobre a festa brava no geral, concluindo que só 6,5% das receitas geradas pelo espectáculo taurino chegavam ao ganadero, Villaseñor relembrou o primeiro congresso que se realizou no seu pais, México, em 1993 e proferiu algumas afirmações polémicas, como por exemplo de que a festa dos toiros deixou de ser há muito tempo, festa dos toiros e passou a ser a festa dos toureiros, António Veiga Teixeira, afirmou que o peso económico da classe ganadera é quase nulo e que a classe carece de capacidade de defesa frente ao envolvimento externo agressivo porque atravessa da tauromaquia, por fim o ganadero Carlos Nuñes afirmou que hoje em dia vivemos um tempo politico muito interessante como por exemplo, o caso Cataluña.

A segunda mesa da manhã expôs “... a segurança profissional do ganadero” e contou com a moderação do jornalista Carlos Ruiz Villasuso e com a participação dos ganaderos Miguel Gutierres, Joaquim Grave, Álvaro Nuñez Benjumea e Victorino Martín García. O tema central desta mesa redonda não foi abordada na sua essência, tocou-se em vários temas, um dos quais polémico como as fundas que se colocam nos toiros, onde Joaquim Grave defendeu que os toiros devem ser lidados da forma como estão no campo, e que com este procedimento de enfundar os toiros estamos a dizer ao público de que todos os toiros são astifinos e não o são de verdade todos, Victorino, falou da exigência que se está pedindo aos ganaderos, que o toiro representa a natureza viva e que o trapio não é igual a muito peso, Alvaro Nuñez compartilhou da mesma opinião de que um toiro com menos de 500 quilos não é sinónimo de menos trapio, já Gutierres sugeriu a melhoria qualitativa dos espectáculos taurinos.

No repasto na casa do Ministro da República a falta notória de organização transformou o almoço num verdadeiro cálvario para quem fora convidado a almoçar na casa representativa da republica na nossa região autónoma. Feliz foi a organização em admitir e corrigir o pequeno percalço nas refeições seguintes.

Duarte Bettencourt

outubro 24, 2010

IX Congresso Mundial de Ganaderos - Galeria Fotográfica

Terminou ontem o IX Congresso Mundial de Ganaderos

Terminou ontem na Ilha Terceira o IX Congresso Mundial de Ganaderos de Toiros de Lide, que contou com a presença de inúmeros ganaderos de reconhecido mérito internacional, nacional e regional. Foi muito interessante de acompanhar as diversas mesas redondas que se constituiram para debater assuntos pertinentes em relação ao toiro e ao ganadero.
Em breve trarei até vós um resumo do que foram os três dias deste congresso na Ilha mais taurina do Mundo.

Duarte Bettencourt

outubro 19, 2010

6 Toros 6

"Congresso Mundial de Ganaderos - Ponte de união cultural através da Tauromaquia "

por João Rocha in aUnião

"O IX Congresso Mundial de Ganaderos de Toiros de Lide, a decorrer na ilha Terceira, de 21 a 23 de Outubro, poderá aprofundar “uma ponte de união cultural, onde os Açores poderão assumir um espaço vital, pela sua imagem de lugar exótico e neutro”.

A opinião é do presidente da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, Arlindo Teles, que vê o congresso como uma oportunidade de “grande promoção dos Açores e da Terceira, num universo muito especial que é o nicho do turismo taurino”.

O que representa para a ilha Terceira, em termos concretos, a realização do IX Congresso Mundial de Ganaderos de Toiros de Lide?

Será mais uma jornada de nível mundial que reúne na ilha das mais altas personagens do mundo taurino, neste caso especialmente criadores de toiros, mas não só, de todos os países do planeta taurino. É mais uma iniciativa de grande promoção dos Açores e da Terceira, num universo muito especial que é o nicho do turismo taurino. Terá uma dupla importância: por um lado promove a ilha e os Açores e por outro é mais um passo na afirmação da nossa notoriedade no contexto internacional da Tauromaquia.

O que é necessário fazer, em traços gerais, para acolher a organização de um evento desta ordem de grandeza?

Neste caso resultou do facto de na anterior edição do Congresso Mundial de Ganaderos, em Aguascalientes no México, estarem presentes alguns elementos da Direcção da Tertúlia, para além de vários aficionados da Terceira, que ao se aperceberem que a organização da edição seguinte provavelmente caberia a Portugal, logo começaram a envidar esforços no sentido de conseguir para a Terceira essa realização.

Qual é o papel que compete aos Açores situado entre “dois continentes taurinos”?

Os Açores entre dois continentes taurinos estão simbolicamente no centro geográfico da Tauromaquia Mundial, entre a Europa e a América. Dessa simbologia, pode e deverá ser aprofundada uma ponte de união cultural, onde os Açores poderão assumir um espaço vital, pela sua imagem de lugar exótico e neutro, complementado pela sua enorme aficion à Festa dos Toiros e pelas suas próprias especificidades.

O que marca o presente e eventualmente faça ameaçar o futuro do Toiro de Lide?

O que marca o presente, o passado e o futuro do Toiro de Lide é o facto de ele ser o elemento central desta cultura única que é a Tauromaquia! O que eventualmente pode ameaçar o seu futuro é única e exclusivamente o movimento anti-taurino, cujo acção radical e cega levaria na prática àquilo a que se poderá chamar o paradoxo anti-taurino: acabar com a Tauromaquia é acabar com esta espécie magnífica! Nada mais, nada menos. Qualquer posição que o contradiga é inconsciente ou demagoga ou mal intencionada.

O contributo das ganaderias no mundo taurino é devidamente reconhecido?

Creio que sim, no interior do mundo dos toiros as ganaderias são perfeitamente reconhecidas. No âmbito da sociedade em geral, se calhar já não é assim. Muita gente não quererá reconhecer o papel fundamental das ganaderias como grandes reservas ecológicas, contribuindo para a preservação de muitas espécies da fauna (como o Lince Ibérico, por exemplo) e da flora (como a nossa Marsilea Azorica, como outro exemplo). Neste último caso, especialistas da Universidade dos Açores já referiram várias vezes que a Marsilea Azorica já estaria extinta se no local onde existe estivesse uma exploração em regime intensivo, em contraste com a criação de gado bravo que lá está.

Qual o espaço que se pode reservar à inovação das ganaderias, sobretudo ao nível das aplicações das novas tecnologias aplicadas à genética e reprodução dos toiros de lide?

Sabemos que existem várias novidades nestas matérias, no entanto, deixaria para os especialistas que participarão no Congresso, este papel de esclarecimento que será com certeza útil para todos os aficionados e também para todos os interessados em geral.

Os Açores, em particular a Terceira, têm sabido potenciar a componente turística da festa brava?

Acho que já começámos a dar alguns passos, mas estamos ainda muito no início. Há um longo trajecto pela frente que precisa de ser acarinhado e trabalhado com perseverança e estratégia.

A crescente contestação à realização de touradas de praça pode comprometer a continuidade da actividade taurina?

Em primeiro lugar, a contestação não é só às Corridas de Toiros em praça, não tenhamos esta ilusão. Em boa verdade a contestação – assente numa sociedade cada vez mais urbana, desenraizada das coisas da terra e da vivência natural das pessoas com os animais, sendo esta naturalmente diferente de espécie para espécie, porque as relações com essas várias espécies não são todas iguais – aponta para todas as formas de tauromaquia. As evidências são mais que muitas. Aqui nos Açores já vimos muitos “bem intencionados” a frisarem que não têm nada contra a Tourada à Corda, mas que depois não as querem admitir quando elas se dão na Ribeira Grande ou por aí fora…
Enfim, na minha opinião a actividade taurina vai existir sempre enquanto existirem aficionados! E estes terão o gosto e a vontade de lutar pelo seu direito à sua especificidade cultural e de transmitir às gerações vindouras todo este riquíssimo legado!

Verdade da Festa na Feira de São João

A Tertúlia Tauromáquica Terceirense irá organizar a Feira de São João em 2011. Quais são as grandes mudanças que se podem esperar, desde já, em termos funcionais?

A Tertúlia apresentou à Câmara Municipal um projecto integrado, o já conhecido TAUROTUR, dentro do qual uma das componentes é a gestão da Tauromaquia das Sanjoaninas. Dentro do referido projecto integrado, preocupamo-nos essencialmente com questões estratégicas e menos com questões meramente funcionais. Naturalmente que nos concentraremos nas questões estruturantes para caminhar no sentido de aprofundar/melhorar a categoria e a verdade da Festa, o que deveria ser um objectivo permanente de qualquer equipa de trabalho neste sector, aliás. Como dois exemplos poderemos abordar a importância de captar aficionados para as Corridas, conseguir aumentar significativamente a assistência média nos espectáculos e também a apresentação e o trapio dos animais lidados.

Com esta nova fórmula organizativa, será possível equilibrar as contas da feira taurina?

Temos fortes convicções sobre a forma de desenvolver o projecto e a obtenção de resultados daí adveniente, baseadas na observação do histórico e de exemplos bem-sucedidos por este mundo fora. Por isso, vamos nos esforçar para fazer um bom trabalho, envolvendo todos os agentes, com a ambição e os olhos postos no futuro! Assim, com um misto de sensatez e de audácia conseguiremos gerar os equilíbrios desejados."

outubro 17, 2010

Equitação à venda

Acompanhe em Directo o IX Congresso Mundial de Ganaderos


O canal de video do site Viaoceanica irá transmitir em directo o IX Congresso Mudial de Ganaderos. Se por alguma razão não puder acompanhar ao vivo os trabalhos do congresso aceda ao Azores Global Tv e assista em directo ao desenrolar do mesmo.

Programa do IX Congresso Mundial de Ganaderos


A Ilha Terceira será palco, na próxima semana, de um grande evento taurino internacional, o IX Congresso Mundial de Ganaderos. Este terá como cidades anfitriãs Angra do Heroísmo e Praia da Vitória, que receberão os congressistas nas salas do Teatro Angrense e Auditório do Ramo Grande respectivamente.
Deixo-vos aqui o programa oficial deste IX Congresso Mundial de Ganaderos.

Quarta-feira, 20 de Outubro
Chegada e recepção de participantes

14:00 - Visita turística ao oeste da ilha até à Mata da Serreta

21:00 - Cocktail de recepção – Prova de produtos açorianos (Hotel do Caracol)

Quinta-feira, 21 de Outubro
09:30 - Sessão de Abertura (Teatro Angrense)

10:00 - Conferências – Maduro-Dias e Mariana Baldaya: “Os Açores entre dois continentes taurinos” (Teatro Angrense)

10:30 - Mesa Redonda: “Análise da situação económica das ganaderias” - A rentabilidade da ganaderia de lide. A ganaderia no contexto económico da Festa Brava. Incidência dos factores políticos, administrativos e reguladores (Teatro Angrense)

11:00 - Programa para Acompanhantes: Visita etnográfica à Quinta do Martelo

11:45 - Coffee break

12:00 - Mesa Redonda: “Exposições sobre a segurança profissional do ganadero” - a importância dos reconhecimentos no campo e na praça e as suas consequências. O trapio e a sua valorização (Teatro Angrense)

13:30 - Almoço – Solar da Madre de Deus (Angra do Heroísmo)

15:00 - Rota do Toiro.

20:30 - Jantar oferecido pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo (Jardim Duque da Terceira – Angra Garden Hotel)

Sexta-feira, 22 de Outubro
09:30 - Mesa Redonda: “Sanidade – Chegar ao toiro são e competitivo” (Auditório do Ramo Grande)

10:00 - Programa para Acompanhantes: City Tour por Angra do Heroísmo - Cidade Património Mundial

11:30 - Coffee break

11:45 - Mesa Redonda: “Maneio” - Preparação Física: efeito no comportamento do toiro na Praça; Apresentação: utilização de fundas, colocação e consequências no reconhecimento e no comportamento; Transporte: normativa de bem-estar animal (Auditório do Ramo Grande)

13:00 - Almoço oferecido pela Câmara Municipal da Praia da Vitória (Academia da Juventude da Ilha Terceira)

14:30 Apresentação do livro: “Fátima Albino – Uma ganadera da Ilha Terceira” (Auditório do Ramo Grande)

15:00 - Apresentações / Debate: “Promoção e divulgação de valores complementares na ganaderia: turismo taurino, valor ambiental e a carne do Toiro de lide” (Auditório do Ramo Grande)

15:00 - Programa para Acompanhantes: Visita turística à Serra do Cume, ao norte da ilha, incluindo o Museu do Vinho

17:30 - “Demonstração de toureio a cavalo e forcados” (Praça de Toiros Ilha Terceira)

20:30 - Jantar - Quinta da Nasce Água (Angra do Heroísmo)

Sábado, 23 de Outubro
09:30 - Apresentações / Debate: “Selecção”: Livros Genealógicos: parametrização do processo de selecção como garantia de qualidade; Procura: evolução dos critérios e a sua importância, criação de uma marca; A bravura do ponto de vista do toureiro (Teatro Angrense)

10:00 - Programa para Acompanhantes: Compras no comércio tradicional

11:00 - Apresentações / Debate: “Usos e aplicações das novas tecnologias aplicadas à genética e à reprodução” (Teatro Angrense)

12:00 - Coffee break

12:15 - Mesa Redonda: “Análise da ganaderia desde a perspectiva dos meios de comunicação social” (Teatro Angrense)

13:15 - Apresentações / Debate: “A ganaderia como sector líder no fomento da união dos sectores taurinos. Constituição de um organismo internacional do ganadero.” (Teatro Angrense)

14:00 - Conclusões

15:00 - Almoço Regional na Vila de São Sebastião com Tradicional Tourada à Corda

Noite livre

Domingo, 24 de Outubro
Partida dos participantes

6 Toros 6

outubro 09, 2010

Festa Brava um video da Localvisão Tv

outubro 05, 2010

Feira Taurina de Thornton

6 Toros 6

outubro 04, 2010

Tourada à Corda no Largo da Igreja nas Lajes - RB

Um toiro foge da gaiola e cai numa piscina

outubro 02, 2010

Novo Burladero de Outubro

"A partir do princípio do mês de Outubro, estará nas bancas a NOVO BURLADERO N.º 263, feita com a costumada procura de motivos de interesse que possam agradar aos nossos fiéis leitores aficionados.

Apesar de já ter cortado a coleta -- com muita pena de todos aqueles que admiravam a sua escrita sem par – Solilóquio regressa este mês, e por um dia, às páginas da NB. Tal como os maestros que, ainda que retirados, se vestem de luces pontualmente para comemorar efemérides especiais, também João Cristóvão Moreira aceitou o desafio que lhe fizemos para nos deliciar com uma notável prosa acerca dos 50 anos da Alternativa de Rafael de Paula. Recomendamos vivamente!

Outra pena convidada é a de Francisco Moita Flores, com a divulgação do seu magnífico texto e o consequente apoio para a adesão de todos à petição pública “Em defesa da Festa de Toiros”.

Nas corridas mais importantes celebradas em finais de Agosto e durante o mês de Setembro, a NB esteve nas que se realizaram nas praças de toiros do Montijo, Campo Pequeno, Montemor-o-Novo, Vila Viçosa, Évora, Moita do Ribatejo, Sobral de Monte Agraço, Amieira, Santarém e Almeirim. Destaque para a Feira da Moita e para a corrida de homenagem a José João Zoio que se realizou no Montijo.

Fomos ao Corredero do Alvito, onde se disputou o II Campeonato de Portugal e registámos as imagens sempre espectaculares de uma modalidade com muitos adeptos entre nós: Acosso e Derribo.

Mantendo a linha de seguirmos a trajectória dos nossos novilheiros além fronteiras, fomos a Madrid e a Sevilha acompanhar a presença de Daniel Nunes e Nuno Casquinha em Las Ventas e na Real Maestranza de Caballeria.

No mês em que se verifica o maior número de presenças portuguesas nos ruedos de Espanha, apresentamos um registo detalhado de todas as actuações dos nossos toureiros e grupos de forcados no outro lado da raia.

Para além de tudo isto, podem-se ler as habituais rubricas: Taurocultura e Álbum de Memórias (Vítor Escudero), Tertúlia “NB” (David Leandro), Da Barreira (Carlos Martins), ABC da Tauromaquia e À Boca do Burladero (Catarina Bexiga), Recordações a Preto e Branco (António José Zuzarte), História do Toiro Bravo (José Henriques), Fotografias com História (Duarte Chaparreiro) e o mais completo Cartaz de Toiros.

Não deixa de ler a NB de Outubro. Verá que vai gostar!"