maio 11, 2015

Triunfo de Tiago Pamplona e Sérgio Aguilar no Festival de Beneficência


Há já algum tempo que não tinha o prazer de tomar notas numa corrida de toiros, com o intuito de escrever um artigo de opinião sobre a mesma. Aconteceu ontem aquando da realização do Festival de Beneficência a favor do Fundo de Assistência do Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense. Não foi o acaso que me levou a voltar a escrever estas linhas, foi antes uma forma de me tentarem calar, pois como alguns de vós sabem, eu nos últimos anos tenho feito parte da equipa de comentadores que leva a todo o universo da Internet as corridas de toiros realizadas em território açoriano. Nunca deixei de dizer o que achava que tinha de ser dito e por isso tenho ganho muitos amigos ao longo da minha vida, coisa que prezo muito. Isto tudo para vos contar que o Festival teve para ser transmitido para o site Califórnia Taurina, do meu amigo Adão Rocha, mas a transmissão foi impedida por alegadamente o representante dos matadores de toiros, que actuaram graciosamente, ter exigido que os mesmos não fossem filmados, alegando direitos de imagem. Primeiro não dá para acreditar que os matadores actuantes neste Festival tenham exigido tal coisa, pois tratam-se de matadores do fim da tabela e o que estes querem mais do que tudo é serem vistos, para poderem angariar mais espectáculos para as suas carreiras. Segundo, o site Califórnia Taurina tem direito, outorgado pelas associações dos toureiros e dos ganaderos portugueses, a transmitir qualquer que seja a corrida, desde que sejam transmitidos exclusivamente para a comunidade emigrante. Quem fica mau visto é o Grupo de Forcados organizador por ir na conversa de quem está na Festa com o intuito de se auto promover, sendo muitas vezes castrador do bom ambiente que deve imperar na Festa Brava.

Depois deste longo desabafo vou me virar para o que interessa, o que se passou então no Festival?

Pois bem, o público encheu cerca de meia casa, fraca, da Monumental da Ilha Terceira, sendo o espectáculo dirigido por Carlos João Ávila, que à semelhança de anos anteriores, continua a ter uma dualidade de critérios aberrante na atribuição de música ao artistas presentes, enfim.

Abriu praça o matador de toiros Gomez Escorial que esteve diligente frente ao novilho de Falé Filipe, com trapio quanto baste para um Festival. Escorial acusou o abrir praça, apontando derechazos de grande temple e profundidade sacando olés aos presentes.

Sérgio Aguilar deixou grande ambiente na Praça de Toiros Ilha Terceira, dotado de grandes faculdades técnicas, encheu a cara de muleta a este segundo novilho de Falé Filipe, mais escorrido de carnes, mas que deu um grande jogo. Passes ligados pela direita rematados com passes de peito. Provou o bom piton esquerdo do astado de Falé Filipe, com naturais templados rematando com desplante de categoria, no final da lide após ter perdido a muleta, dá por concluída a sua grande faena com cingidas manoletinas, recebendo grande ovação dos tendidos, sem dúvida a lide e o novilho da tarde, no que toca ao toureio apeado.

Joaquim Galdós, novilheiro peruano puntero, recebeu o astado de José Albino Fernandes, provando-lhe as investidas com o capote, finalizando o primeiro tércio com verónicas bem desenhadas e meia cingida. O Albino investiu com alegria na muleta do peruano, que provou ambos os pintons do bom novilho, que se arrancava a galope a cada cite do seu toureiro. O jovem novilheiro apontou boas maneiras auspiciando-se-lhe um bom futuro. No final o novilho começou a ficar mais em curto, dando o novilheiro por finalizada a lide ao terceiro exemplar deste Festival.

Destaque para os pares de bandarilhas cravados pelos bandarilheiros terceirenses Gonçalo Toste e Jorge Silva, destaque ainda para os quites de Sérgio Aguilar por chicuelinas, seguida de aparatosa voltareta, e de Joaquim Galdós por gaoneras rematadas por meia cingida.

O Festival foi dividido em duas partes, em meu entender por razões logísticas pois a organização não informou os presentes da alteração, a primeira parte foi dedicada ao toureio a pé e a segunda ao toureio a cavalo.

Tiago Pamplona lidou o quarto novilho da ganadaria Casa Agrícola José Albino Fernandes, para mim o pior exemplar do festival não tendo contudo criado problemas de maior e inclusivamente deu ao seu lidador a melhor lide da tarde, no que toca ao toureio a cavalo. Tiago recebeu o astado montando o "Bastinhas" tendo passado em falso por duas vezes para cravar de alto abaixo dois bons ferros compridos, para o segundo tércio trouxe à arena angrense o "Zangado do Ilhéu", o novilho da CAJAF rachou no inicio do segundo tércio procurando o refugio das tábuas, saindo contudo de lá com facilidade, Tiago cravou excelentes ferros ao estribo, seguidos de remates vistosos, destaque para o primeiro ferro, os dois em sorte sesgada e para o último de palmo redondeando a faena, saindo sob forte ovação.

Rui Lopes com o "Sublime" recebeu o bom novilho de Rego Botelho, deixando dois ferro de boa nota e com excelente execução da brega. Saca depois o "Violino" para deixar um ferro curto aliviado, troca de montada e sem se parar deixa três ferros curtos para no final da lide cravar um ferro ao violino à terceira tentativa.

João Pamplona teve pela frente o melhor exemplar do Festival, no que toca ao toureio a cavalo, foi este o novilho número 30 da ganadaria de Rego Botelho, o João recebeu o novilho na égua "Rana" para deixar  três ferros de boa nota onde imperou a boa brega, para o segundo tércio sacou o "Bastinhas" para deixar outros três ferros com destaque para os últimos dois de frente e ao estribo.

O Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, apresentou nesta tarde muitas caras novas, mostrando o processo de renovação que atravessa e que se quer também ao nível do comando do mesmo, coisa que tarda em acontecer, sabe-se lá porquê.
Foram à cara Jorge Santos, João Gaspar e um novo elemento que não tive a oportunidade de obter o nome pois encontrava-me na bancada, e para que se saiba com bilhete comprado, todos à primeira tentativa, sendo o primeiro realojado na cara do oponente pelos colegas, o segundo na melhor pega da tarde e o terceiro a perder o luzimento com o contra-caras, Tomaz Ortins, a carregar muito na ajuda.

Nota positiva para o resultado final deste Festival, que foi de bom nível, esperando que as próximas se não foram melhores que pelo menos sejam iguais.

Cumprimentos e Saudações Tauromáquicas àqueles que tiveram a paciência de ler este meu artigo até ao fim.

Um até já numa corrida em directo no Califórnia Taurina.


Duarte Bettencourt

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