junho 22, 2015

Corrida Concurso de Ganadarias - Feira de São João 2015 - Actualizado

Triunfo de Gilberto Filipe na lide do melhor toiro da tarde, o Tabaquero  da ganadaria  Vinhas, com o número 37 que pesou 465 quilos. Melhor pega para José Vicente em dia de despedida e a melhor apresentação foi para o toiro Bamero de Assunção Coimbra.

Depois de anunciados os vencedores fica a pergunta: Quem eram os jurados deste concurso de ganadarias?
Não sei, não fomos informados.

Passemos à analise da corrida.

Luís Rouxinol de regresso à nossa ilha, acusa a meu ver o desgaste de quem vem à nossa terra de forma ininterrupta nos últimos anos, recebeu o "terrorífico" Miura, que de terrorífico não tinha nada, cravando no astado dois bons ferros de alto a baixo, com o toiro a reagir mal ao castigo, muda de montada e opta pela batida ao piton contrário para a cilhas passadas deixar o primeiro ferro curto. O comportamento do toiro piora com o desenrolar da lide, ficando cada vês mais em curto, Rouxinol entra pelo toiro dentro para deixar um bom ferro. O toiro dificulta a colocação da ferragem pondo a cara alta no momento da reunião. No final crava um soberbo ferro de palmo pondo toda a carne no assador. "Mangueira", habitualmente usado com segunda ajuda, sente dificuldade ao recuar na cara do toiro, fazendo-o ensarilhar, fechando-se com garra à segunda, corrigindo o erro anterior.

Vítor Ribeiro regressa à nossa praça como o triunfador da Feira do ano transacto, lida o Jandilla mas deveria ter lidado o Vinhas. Dada a uma incompatibilidade com o seu criador, a organização opta por ludibriar todos os presentes alterando a antiguidade desta ganadaria, que é portuguesa e em Portugal conta a antiguidade portuguesa e não a espanhola.
Já à alguns séculos que os espanhóis saíram da Terceira, será que ficaram por aí alguns descendentes?
Para vossa informação a antiguidade da ganadaria Vinhas data de 17 de Setembro de 1950 e a de Jandilla data de 3 de Maio de 1951. Esta foi quanto a mim a principal razão pela qual o Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande não aceitou pegar a corrida, não pactuando com esta situação. O cabo Filipe Pires honrando a jaqueta do seu grupo, teve a coragem e a dignidade de demonstrar à aficion terceirense e não só, que a lei parece que é para ser usada só para alguns.
Mas o Vítor Ribeiro lidou o Jandilla e nele cravou dois ferros compridos, o primeiro à tira e algo descaído, perdendo no segundo o centro da sorte. Troca de montada para deixar o primeiro curto à garupa e descaído, seguindo-se um cravado de "raiva" de boa nota, a partir daqui o toiro começa-se a parar no momento da reunião dificultando a labuta ao seu lidador. Finaliza a sua lide com um excelente ferro em todo o alto. Para a pega deste Jandilla saltou pela última vez as tábuas o valente forcado da Tertúlia Tauromáquica Terceirense José Vicente, uma grande pega para um grande forcado em dia de despedida, destaque para a boa ajuda de Bruno Furtado que saiu da arena meio combalido.

Gilberto Filipe, nome menos sonante entre nós, veio à Terceira com a garra que o caracteriza, dizer bem alto que merece aquela oportunidade. Lidou o Vinhas, o melhor toiro da corrida, mas não começou da maneira mais auspiciosa, deixando dois ferros compridos sem história. Depois de mudar de montada a história foi bem diferente, uma boa brega, seguida de viagens rectas, deixando ao estribo ferros de excelente nota, lidou e bregou mostrando ser um bom calção. No final, já com outra montada, deixa um ferro curto desajustado abrindo ligeiramente o quarteio. Foi uma surpresa para alguns mas para mim não, já cá tinha estado e sempre denotou um grande sentido de lide e o grande cavaleiro que é, oxalá surgem mais oportunidades. O jovem Carlos Vieira, desculpem não saber o seu segundo nome, fechou-se ao primeiro intento sem dificuldades de maior.

Segunda parte da corrida. Uma ilha de toiros que apresenta apenas dois no seu concurso maior. Que pena ver até onde isto chegou.

Tiago Pamplona após duas passagens em falso, deixa ficar os dois ferros da ordem, nota para a brega desenvolvida ao toiro de Rego Botelho. Muda de montada e  recebe a investida do oponente na garupa do seu cavalo, crava de alto a baixo deixando ambiente, o toiro dá uns arreões de manso investindo com violência, mostrando ao que vem, mas Tiago dá-lhe a lide possível. Destaque para o segundo ferro curto e para o de palmo com que finaliza a sua única lide nesta feira que é nossa e que deveria ser sua também. Para a pega deste Rego Botelho, que se antevia vir a dar trabalho ao grupo da Tertúlia, salta à arena Luís Cunha, para ficar à terceira quarta tentativa com a ajuda de dezoito elementos do seu grupo. Não se entende o porquê da sua volta à arena, humildade é o que se pede.

Rui Lopes lidou o toiro mais bonito deste concurso de ganadarias, tratou-se do Coimbra, de muito bom tipo, o cavaleiro da Ribeirinha deixa três ferro compridos com destaque para o último. Ao primeiro ferro curto o toiro mostra a sua crença nos tercios, obrigando o cavaleiro a colocar os ferros pelo corredor de dentro. Com uma só oportunidade nesta Feira, ou se apanhava um bom toiro ou poderia acontecer o que aconteceu ao Rui. João Pedro Ávila pegou este Coimbra ao segundo intento depois de no primeiro ter aguentado barbaridades sem ajuda dos seus companheiros.

João Pamplona teve pela frente o segundo melhor toiro da corrida, pena tenha sido lidado diminuído. O toiro de João Gaspar apresentou durante a lide uma claudicação da mão direita dificultando com isso a sua lide. Mas o jovem terceirense, que teve para ficar de fora desta sua/nossa feira, deu uma lição de bem saber lidar, esteve em toureiro e teve quanto a mim a lide mais bem conseguida desta corrida, sabendo explorar o melhor deste Gaspar. Veio com ganas de triunfo esperando à porta dos sustos o seu oponente, deixou três ferros compridos de eleição. Crava, depois de mudar de montada, quatro ferros curtos soberbos para finalizar a lide com um quinto a pedido, de igual nota. Pena os jurados, aqueles que ninguém sabe quem são, não terem tido a mesma opinião que a minha. Pegou este toiro João Silva, ao primeiro intento e sem problemas de maior, adiantando contudo ligeiramente as mão aquando da reunião.

Fica aqui a primeira crónica da Feira se São João deste ano sem o lápis azul da censura.

Até à próxima.

Duarte Bettencourt

Nota correctiva: Por ter sido censurado pela organização da Feira, a Direcção da T.T.T e pelo Grupo de Forcados da T.T.T., na pessoa do seu Cabo, torna-se para mim muito mais difícil obter os nomes dos forcados intervenientes nas pegas, por isso não obtive a informação do último nome do forcado Carlos Vieira, a ele as minhas desculpas. Quanto ao erro do número de tentativas realizadas ao quarto toiro de Rego Botelho, foi mesmo erro meu ao tirar o apontamento da referida pega, as minhas desculpas também ao visado Luís Cunha.

Duarte Bettencourt



0 comentários: